Aretha Franklin: o legado da rainha da soul

Conhecida por ser a “rainha da Soul” e, para muitos, uma das melhores cantoras de sempre, Aretha Franklin morreu no dia 16 de agosto, deixando um legado inesquecível e… respeitado.

Basta ouvir temas como “Respect”“Natural Woman” e “I Say a Little Prayer” para percebemos o porquê de tanto êxito de Aretha Franklin: há um dom que não se explica na sua voz.

Conhecida por ser uma das vozes mais respeitadas e conhecidas do mundo da soul, nem tudo foi um mar de rosas na vida da artista até chegar onde chegou.

Filha de pais religiosos, Aretha Franklin nasceu em Memphis, em 1942, mas rapidamente se mudou para Detroit onde o pai construiu a sua própria igreja: “New Bethel Baptist Church”.

Poucos anos depois da sua mãe morrer, Aretha Franklin deu à luz o seu primeiro filho, com apenas 12 anos, com um colega de escola. Teve quatro filhos ao longo da vida — Clarence, Edward, Ted e Kecalf.

Foi nesse período conturbado que a cantora, com a ajuda do seu pai, começou a cantar. Rapidamente conquistou a admiração do público, que de elogio em elogio lhe vaticinou um dos mais promissores: “a voz de um milhão de dólares”.

De um milhão de dólares ou mais, a Voz da Soul, com apenas 14 anos, gravou o primeiro álbum, que batizou de “Gospel Songs of Faith”.

Da igreja para o mundo, não demorou muito a chamar a atenção dos grandes produtores musicais. E, numa altura em que não havia videoclips, a conquista por um lugar no mundo da música fazia-se através de muito trabalho e uma dose generosa (e extra) de talento. Algo que, o mundo é uníssono em afirmar, não lhe faltava.

Não nos transformávamos em estrelas do dia para noite. Tinhas de trabalhar e aprender muito: como tomar conta da tua voz, como organizar os concertos, tudo por tentativa-erro.

Com o passar dos anos, poucos foram aqueles que não se renderam ao talento e à musicalidade de Aretha Franklin. Gospel, R&B e soul foram estilos vincados na carreira da artista de Memphis que fizeram com que a mesma fosse considerada pela revista Rolling Stone a “maior cantora de todos os tempos”.

Com uma carreira de seis décadas, recheada com 75 milhões de discos vendidos e 18 grammys, Aretha Franklin foi a primeira mulher a entrar no Rock & Roll Hall of Fame, cantou na gala inaugural do mandato presidencial de Bill Clinton, em 1993, e, passados 16 anos, foi a voz da cerimónia de posse de Barack Obama, um grande fã da cantora, que chegou a emocionar-se num concerto intimista. Além da música, a artista deu também a voz pela defesa dos direitos civis.

Em 2010, foi-lhe diagnosticado um cancro no pâncreas, mas foi apenas em 2017 que decidiu afastar-se dos palcos. Contudo, ficar parada não fazia parte dos seus planos. Abriu uma exceção no 25º aniversário da fundação de Elton John de luta contra a sida, a 7 de novembro do ano passado. E foi ainda nesse mês que a cantora lançou o último álbum gravado da sua carreira, “Brand New Me”.

Aos 76 anos, esta quinta-feira, Aretha Franklin morreu. O mundo ficou mais triste, mas o legado transcende a vida terrena: fica a voz divina, a compositora, a pianista e a produtora de génio. Aretha Franklin definiu a soul tal como hoje a entendemos: “Eu sou a minha música”, dizia. E foi.

Percorra a nossa galeria, escolha o seu álbum favorito na  Worten do nosso Centro e ponha-o a tocar. A melhor forma de homenagear a artista, é ouvi-la e captar as várias mensagens que cada música transmite.

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