Madalena Martins: a artista que quer consciencializar

A 4.ª edição do Pulsar Viana inaugurou no nosso Centro no passado dia 25, com a apresentação da instalação artística “Natureza em Suspenso”, de Madalena Martins. Estivemos à conversa com a artista, que nos falou sobre o seu trabalho e o processo criativo desta peça.

Começou a sua carreira como designer gráfica, num ateliê próprio. Depois de alguns anos a trabalhar o lado mais comercial da arte, Madalena sentiu a necessidade de fazer coisas diferentes e pôr em prática as ideias que lhe iam passando pela cabeça. A primeira peça que criou, os candeeiros cabeçudos, foi a que apresentou em 2009, na primeira edição dos POPs (Projetos Originais Portugueses), de Serralves. A exposição correu melhor que o esperado e assim nasceu a paixão por trabalhar os objetos, “pensando sempre neles como contadores de estórias”.

“Esse é sempre o meu propósito: transmitir uma mensagem, contar uma história, falar de alguma coisa que é uma tradição portuguesa, através de um novo objeto, com uma nova função. Se não tiver um conteúdo é uma peça vazia. E depois a parte estética vai responder àquilo que eu quero passar.”

“Natureza em Suspenso”, a peça que Madalena Martins criou para a edição de 2019 do Pulsar Viana, segue precisamente esse propósito, e mais do que uma obra de arte, é uma forma de alertar para os problemas ambientais. A instalação artística, feita exclusivamente com materiais em fim de vida, une duas das coisas que representam a bela cidade de Viana do Castelo: os jardins e o mar. “O processo passa muito por aqui: juntar os espaços verdes e o mar e pensar de que forma é que realmente podia transmitir uma mensagem que é transversal, não só a Viana, mas infelizmente a todo o planeta, que é esta plastificação do planeta. Então o que eu trouxe do mar foi precisamente o plástico que o mar nos devolve.”

A peça foi construída por cinco reclusos do Estabelecimento Prisional de Viana do Castelo e, se à primeira vista nos parece um conjunto de árvores floridas, ao aproximarmo-nos apercebemo-nos da presença do plástico que, segundo a artista, foi “galvanizado, derretido com o calor nas extremidades das árvores, quase como que sufocando”. Exposta num espaço, no mínimo, diferente, a peça tem o poder de atrair quem por ela passa. E para Madalena, sendo este um local também de consumo, “se fizer refletir um bocadinho acho que é um ganho muito positivo.”

“Natureza em Suspenso” estará em exposição no nosso Centro até ao próximo dia 30 de junho. E para que não perca nada do Pulsar Viana, pode conhecer a programação do evento aqui.

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