Rui Carvalho: “Já consigo olhar para a Romaria e captar imagens da sua essência”

A exposição de fotografia “Mater” de Rui Carvalho, criada no âmbito da quinta edição do Pulsar Viana, inaugurou no nosso Centro no passado dia 1 de agosto. Estivemos à conversa com o fotógrafo, que nos falou sobre o seu trabalho e a exposição.

Nascido e criado em Viana do Castelo, Rui Carvalho cresceu rodeado pela fotografia. “A fotografia também vem desde o berço, porque o meu avô foi fotógrafo, o meu pai foi fotógrafo toda a vida, portanto desde a infância que lido com a fotografia, com o registo fotográfico”. Já jovem adulto, abandonou a terra natal para estudar e amadurecer a paixão pela arte, mas voltou à origem, ao sítio que “significa tudo, à cidade do coração”, onde abriu o seu estúdio de design gráfico e comunicação.

A par da fotografia, e como não podia deixar de ser para um Vianense de gema, o “bichinho” pelas festas em honra da Nossa Senhora D’Agonia também nasceu bastante cedo. Ainda adolescente, Rui começou a sua ligação – que já leva mais de 25 anos – ao evento, ajudando a elaborar os carros do cortejo e, mais tarde, passou a fotografar a festa. “Desde 2004 que faço um registo mais sistemático da Romaria. Claro que no início com um olhar não tão atento como hoje em dia. Hoje já consigo olhar para a Romaria de outra forma e captar imagens mais da sua essência e menos da parte turística. E é, de facto, um dos grandes temas que gosto de fotografar”.

Agora, o trabalho de Rui relacionado com a Romaria culmina numa exposição fotográfica, “Mater”, que está patente no nosso Centro e que quer dar a conhecer a fé e a devoção das pessoas de Viana à Santa: “A preocupação nesta exposição foi, de facto, mostrar momentos genuínos. Portanto nada daquilo é encenado. A exposição constrói-se numa narrativa muito clara, que vai desde a preparação dos tapetes até à noite dos tapetes, a ida ao mar, o regresso da Santa ao cais, a entrada nas ruas, a recolha na igreja… e todas essas emoções vêm à flor da pele. É ali que a lágrima cai, que as pessoas sentem aquela devoção e agradecimento. O nome “Mater” quer dizer precisamente “mãe”. A Senhora D’Agonia é a mãe de Jesus, portanto a mãe de todos, e todas aquelas pessoas olham para aquela imagem de facto como para uma mãe. Não só naquele dia, mas todo o ano. E acho que a exposição consegue transmitir essa devoção, esse sentimento que têm pela Santa.”

Veja no nosso vídeo a entrevista a Rui Carvalho e, até dia 31 de agosto, passe pelo nosso Centro para conhecer a exposição da autoria do fotógrafo.

 

Publicação
21 de Agosto de 2020
Categorias
Cultura
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